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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006
João Rosa morreu às mãos da PIDE-DGS?

 

Foto da firma NOSOCO

disponibilizado por Mário Silva. João da Silva Rosa: quarto a contar da direita.

 

No início do mês de Janeiro de 1961, o estado de saúde de João da Silva Rosa (arguido preso na PIDE-DGS) agravou-se consideravelmente. Foi observado por um médico a 3 de Janeiro de 1961, o qual emitiu o seguinte parecer: “sou de opinião que deve baixar Hospital para efeitos de tratamento que não pode ser feito na prisão, além de que a sua doença tem que ser acompanhada, na sua evolução, pelo médico”.

 

Porém, mesmo com agravamento do estado seu estado de saúde de João da Silva Rosa ,o inspector da PIDE-DGS de Bissau não providenciou o seu internamento como recomendou, de resto, o parecer médico. Assim, datado de Janeiro do mesmo ano, este escreveu ao inspector da PIDE de Bissau uma carta (certamente a última em vida), na qual dizía:

 

“Forçado pelas circunstâncias, resolvi fazer-lhe estas linhas que V. Ex.ª saberá desculpar-me a ousadia e o tempo que lhe vou roubar. Há mais de 45 dias que os meus pés se incharam para depois baixarem até ao normal. E, de repente, começaram novamente a incharem e agora estão tomando proporções verdadeiramente alarmantes, pois o inchaço subiu até às pernas!

 

Passo noites horríveis, com insónias e abalos no coração provocados por tensão arterial muito elevada, originando a asma cardíaca que abala-me o corpo e canso-me ao menor esforço. Se este estado de coisas se prolongar por mais tempo, o meu estado de saúde passará de pior a péssimo e de grave a alarmante.

 

Consequentemente, rogo a V. Ex.ª a minha hospitalização urgente ou a liberdade sob caução, a fim de ser tratado pelo sindicato onde tenho médicos e medicamentos. Esperando que V. Ex.ª, atendendo o seu alto espírito de compreensão e de justiça, encontre solução para este problema tão grave como urgente, para o que deixo aqui expresso o meu profundo agradecimento e a expressão bem sincera do meu maior respeito.

 

Humildemente

 

Ass. João Rosa"

 

Porém, a 4 de Abril de 1961, recaiu sobre a carta de João da Silva Rosa o seguinte despacho do inspector: “O Sr. delegado de Saúde que se pronuncie sobre o estado de doença do arguido”. É então que é autorizado ao doente a prisão hospitalar fora dos calabouços da PIDE-DGS, mas num momento em que se encontrva já muito debilitado, vindo a falecer pouco tempo depois, em data que não logramos apurar, mas que muito provavelmente ocorreu entre os meses de Abril e Maio do mesmo ano.

 

Curiosamente, com uma longevidade surpreendente (45 anos depois), o nome de João Rosa é amiúde evocado na sociedade guineense. É caso para dizermos que a mística por que lutou e pereceu é a matéria-prima de que são feitas as grandes páginas da história guineense e das suas grandes figuras. Por outras palavras, elas também são as asas asas sobre as quais ainda voam os sonhos mais belos de um devir promissor.

 

Leopoldo Amado.

 



publicado por jambros às 17:45
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